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Carboidratos x Gorduras no emagrecimento

Como sabemos a obesidade é uma epidemia e junto à ela temos a presença da síndrome metabólica, caracterizada por aumento de gordura abdominal, níveis altos de triglicerídeos, baixos de colesterol HDL e pressão arterial elevada (1). A gordura abdominal é fortemente associada à resistência à insulina, hiperglicemia e dislipidemia (2,3).

 

O aumento do tecido adiposo é relacionado ao excesso de energia relativa ao pouco gasto, dado justamente por comidas que combinam de forma processada carboidratos e gorduras (4).

 

Embora hoje se culpe a gordura ou carboidrato pelo aumento de peso, estudos randomizados têm demonstrado que uma redução tanto de gorduras quanto de carboidratos na dieta, é eficaz na redução de peso corporal e síndrome metabólica em obesos e indivíduos com sobrepeso (5, 6).

 

Em um estudo (7), 46 homens obesos foram divididos em grupos baixo em carboidrato (50g de carbo e 170g de gordura) ou baixo em gorduras (275g carbo e 70g gordura) durante 12 semanas, com a mesma quantidade de calorias (2090) e proteínas (90g). No grupo baixo carbo, 34% das calorias era gordura saturada e no grupo alto carbo, 12%. Ambos grupos foram instruídos a evitar gordura vegetal hidrogenada, açúcar e óleos ricos em ômega-6, além de consumirem mais vegetais e frutas. No grupo de mais carboidratos havia sucos para facilitar o alcance das calorias devido ao excesso de vegetais.

 

Para facilitar a adesão, foi dado um guia instruções sobre as preparações das refeições, além de alguns alimentos entregues diretamente aos participantes.  Não houve diferença significativa no nível de atividade física entre os grupos, tanto antes quanto depois, assim como o consumo de calorias entre eles antes do estudo.

 

38 concluíram as doze semanas de estudo. O IMC reduziu cerca de 3,6 pontos em todos os participantes. A massa magra reduziu 2 a 3%, a massa gordura reduziu de 26 a 30%, assim como a gordura visceral. Já a circunferência de cintura reduziu 10% em média. Não houve diferença entre os grupos. A glicose em jejum reduziu em ambos, porém o grupo baixo em carboidrato foi mais eficaz nesse aspecto. Já a insulina, peptídeo C, hemoglobina glicada, Homa IR (todos ajudam a avaliar relação de glicose e insulina) diminuíram igualmente nos grupos. Triglicerídeos, pressão arterial e glucagon também.

 

A dieta mais baixa em carboidrato não diminuiu LDL, diferente da mais rica em carbos, no entanto aumentou HDL. Os dados de aumento de gordura saturada batem com os de outros estudos, onde o aumento de suas quantidades não elevou riscos para gordura no fígado ou doenças cardiovasculares, apesar do aumento de LDL (8, 9, 10). No entanto, o consumo de gorduras poli insaturadas é ligado a diminuição de riscos metabólicos e inflamatórias (11). O aumento de LDL junto ao aumento de HDL também não reflete maior risco cardiovascular, considerando que a gordura abdominal foi reduzida.

 

Em resumo, no que tange a perda de peso, os resultados foram os mesmos, mostrando que uma dieta com mais qualidade alimentar e leve restrição calórica é eficaz na diminuição de gordura junto a marcadores sistêmicos de riscos para síndrome metabólica, independente se é mais rica em carboidratos ou gorduras.

 

1. . Kim SH, Reaven G. Obesity and insulin resistance: an ongoing saga. Diabetes 2010;59:2105–6

2. Kaess BM, Pedley A, Massaro JM, Murabito J, Hoffmann U, Fox CS. The ratio of visceral to subcutaneous fat, a metric of body fat distribution, is a unique correlate of cardiometabolic risk. Diabetologia 2012;55:2622–30.

3. Tchernof A, Despres J-P. Pathophysiology of human visceral obesity: ´ an update. Physiol Rev 2013;93:359–404.

 4. Swinburn BA, Sacks G, Hall KD, McPherson K, Finegood DT, Moodie ML, Gortmaker SL. The global obesity pandemic: shaped by global drivers and local environments. Lancet 2011;378:804–14.

5. Hu T, Mills KT, Yao L, Demanelis K, Eloustaz M, Yancy WS, Kelly TN, He J, Bazzano LA. Effects of low-carbohydrate diets versus low-fat diets on metabolic risk factors: a meta-analysis of randomized controlled clinical trials. Am J Epidemiol 2012;176:S44–54.

6. Johnston BC, Kanters S, Bandayrel K, Wu P, Naji F, Siemieniuk RA, Ball GD, Busse JW, Thorlund K, Guyatt G, et al. Comparison of weight loss among named diet programs in overweight and obese adults: a meta-analysis. JAMA 2014;312:923–33

7. Veum VL, Laupsa-Borge J, Eng Ø, Rostrup E, Larsen TH, Nordrehaug JE, Nygård OK, Sagen JV, Gudbrandsen OA, Dankel SN, Mellgren G. Visceral adiposity and metabolic syndrome after very high-fat and low-fat isocaloric diets: a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr. 2017 Jan;105(1):85-99. doi: 10.3945/ajcn.115.123463. Epub 2016 Nov 30.

8. Noakes M, Foster P, Keogh J, James A, Mamo J, Clifton P. Comparison of isocaloric very low carbohydrate/high saturated fat and high carbohydrate/ low saturated fat diets on body composition and cardiovascular risk. Nutr Metab (Lond) 2006;3:7

9. Michas G, Micha R, Zampelas A. Dietary fats and cardiovascular disease: putting together the pieces of a complicated puzzle. Atherosclerosis 2014;234:320–8.

10. Micha R, Mozaffarian D. Saturated fat and cardiometabolic risk factors, coronary heart disease, stroke, and diabetes: a fresh look at the evidence. Lipids 2010;45:893–905.

11. Buckley JD, Howe PRC. Long-chain omega-3 polyunsaturated fatty acids may be beneficial for reducing obesity: a review. Nutrients 2010; 2:1212–30.

 

 

 

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