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Riscos cardiovasculares com diferentes tipos de gorduras

A obesidade traz consigo diversos distúrbios metabólicos. Um deles é a dislipidemia, caracterizada pelo aumento de triglicerídeos (TG), redução de colesterol HDL e aumento de colesterol LDL.

 

A dieta exerce papel fundamental na prevenção e tratamento da obesidade.

Antes de pensarmos em restringirmos gordura, precisamos lembrar que há diferentes tipos de gorduras, com diversos tamanhos de cadeia de carbono, tipos de ligações e posição dos ácidos graxos na molécula de glicerol.

 

Os ácidos graxos (AG) saturados têm forte associação com o aumento do colesterol LDL, sendo encontrados principalmente em carnes e lácteos, além de coco e cacau. O ácido mirístico (14:0) dos lácteos possui maior potencial para elevação de colesterol e TG. No entanto as pesquisas são contraditórias, mostrando que dietas com maior consumo de leite não elevaram colesterol, enquanto que dietas com mais manteiga e queijos, sim. O papel de outros alimentos como frutas e hortaliças é uma variável de confusão nos resultados.

O ácido palmítico (16:0), encontrado principalmente em industrializados é o mais abundante na dieta ocidental, enquanto que o esteárico (18:0), presente no cacau, não aumenta colesterol por ser rapidamente convertido em ácido oleico no fígado, através da enzima estearoil coa dessaturase (SCD1).

Os AGs saturados elevam colesterol ldl por reduzir conteúdo proteico e da atividade dos receptores hepáticos de LDL, aumentar a atividade da enzima acetil coa colesterol acil transferase (ACAT) no fígado, elevando o conteúdo de apolipoproteínas B e pela indução da lipogênese hepática pela SREBP-1c, que faz a transcrição de triglicerídeos.

Sendo assim, a recomendação da American Heart Association é que o consumo de gorduras saturadas deve ser no máximo 7% do total calórico da dieta.

 

Já os ácidos graxos insaturados são classificados também pelo total de duplas ligações que possuem, sendo então mono (uma dupla ligação) ou poli-insaturados (mais de uma dupla ligação).

Os monoinsaturados estão presentes principalmente nos óleos de oliva e canola, ricas em ácido oleico (ômega 9, C18:1), sendo a canola obtida de uma gramínea denominada rapeseed (semente de colza). Por ser metabolizado mais rapidamente, o acido oleico não induz supressão dos receptores de LDL e não provoca a oxidação deste mesmo colesterol.

 

Já nos poli insaturados temos o ômega 6, composto pelo ácido linoleico (C18:2) e o araquidônico (C20:4), presentes nos óleos de milho e girassol, e o ômega 3, que é o ácido linolênico, encontrado na canola e linhaça. Ambos linoleico e linolênico são essenciais para o ser-humano, que não consegue sintetizá-los e possuem ações como: Redução de VLDL, o precursor de LDL, por maior catabolismo de AGs nos peroxissomos e por reduzir expressão da MTP, proteína que liga os triglicerídeos às lipoproteínas B e redução de SREBP-1C.

 

Os ômegas-3 a-linolênico (ALA), eicosapentaenoico (EPA), docosahexaenóico (DHA) são relacionados a redução de TG, através da diminuição de diacilglicerol aciltransferase (DGAT), enzima que faz a síntese hepática de TG, e também relacionados a síntese de prostraglandinas, leucotrienos e tromboxanos de ação anti-inflamatória, enquanto que o ômega 6 possui ação inflamatória. O equilíbrio entre os dois garante a homeostase, diminuindo riscos cardiovasculares.

 

Os ácidos linoleicos são convertidos à araquidônicos enquanto que os alfalinolênicos à DHA e EPA, por meio das dessaturases. O araquidônico age na síntese PGE-2 (prostaglandina), TXA-2 (tromboxano) e LTB-4 (leucotrienos), todos com ação inflamatória, vasoconstritora e de agregação plaquetário. Já os EPAs e DHAS viram PGE-3, LTB-5 e TXA-3, ou seja, uma série impar que tem ação anti-inflamatória e antitrombótica. Por isso, recomenda-se também o consumo de peixes 3x/semana, já que a dieta ocidental costuma ser mais rica em ômega-6.

 

Há ainda os ácidos graxos trans, onde 2 átomos de hidrogênio estão do lado oposto da dupla ligação. Embora possam ser sintetizados por bactérias de ruminantes, há diferenças. Nas carnes e leites há o ácido vacênico, não relacionado ao aumento de risco cardiovascular. Porém, o ácido elaídico, feito pela hidrogenação de óleos vegetais, é encontrado em alimentos como biscoitos, bolachas recheadas, nuggetes, sorvetes e diminui colesterol HDL2 (fração mais associada a dieta e que também diminui apoliproteína A, aumentando a proteína de transferência de colesterol-CETP), aumenta colesterol LDL, desenvolvimento de placas ateroscleróticas e apoptose de células endoteliais por ativação de caspases.

 

Eles também aumentam a inflamação, quantidade de AGs livres na circulação e diminuem as proteínas estimuladoras de acilação (ASPs), que agem na síntese e captação de glicose pelo adipócito, ou seja, a diminuição delas aumenta risco para resistência à insulina.

 

Por fim, há os fitoesteróis (amêndoas, nozes, amendoins, sementes de girassol, milho, feijões, sementes de girassol, soja), pouco absorvidos no interno e que ajudam na redução de colesterol, aumentado sua excreção fecal. Vale lembrar que não há boas evidências comprovando que a suplementação de antioxidantes diminui estresse oxidativo do LDL e assim, riscos cardiovasculares.

 

 

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