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Excesso proteico e saúde óssea

Ainda há aqueles que pensam que mais proteína aumenta risco para fraturas por aumentar excreção de cálcio, principalmente de ossos.

Esse raciocínio é antigo e errado pois:

1- A proteína compõe 50% do volume ósseo (1).

2- Uma quantidade adequada de proteína é essencial para formação de proteínas que formam a matrix óssea, como colágeno.

 

E de onde vem a ideia de que mais proteína é ruim?

De estudos de 1920 (2) onde o aumento de ingestão proteica levou ao aumento de excreção urinária de cálcio, e de estudos seguintes onde para cada aumento de 40g de proteína, a excreção de cálcio aumentava em 50mg (3).

 

Estudos seguintes com maior controle da ingestão dietética de cálcio mostraram que não houve alteração na absorção intestinal de cálcio com dietas com mais proteína, chegando então a conclusão de que a perda de maior de cálcio era devido a perda óssea (4,5,6). Surgiu então a hipótese de que mais aminoácidos resultam em uma acidez metabólica, necessitando então de uma supressão mais alcalina, vinda principalmente de cálcio do osso.

 

No entanto, outros estudos utilizando isótopos marcados de cálcio encontraram que a proteína dietética é associada com maior absorção intestinal de cálcio, sendo este então o fator chave para maior perda urinária (aumenta-se absorção e junto, a excreção), sem alterar o catabolismo esquelético (7-9).

 

Esse raciocínio é confirmado por meta-análises e revisões.

 

Uma revisão recente mostrou que uma ingestão proteica mais alta ajudava jovens e adolescentes na formação óssea (10).

 

Uma meta-análise de 2009 mostrou efeitos nulos na maior ingestão de proteína e risco para fraturas (11) enquanto que outra de 2015, uma leve redução nas fraturas de quadril em dietas com mais proteínas (12).

 

Já em 2017, uma outra meta-analise avaliando 16 estudos controlados e 20 estudos coortes prospectivos encontrou que apenas poucos estudos mostraram efeitos negativos com dietas com mais proteínas enquanto que a maioria mostrou efeitos nulos ou positivos em marcadores de densidade mineral óssea, osteoalcina, ctx ou mesmo risco pra fraturas (13).

Dito tudo isso, vale ressaltar que a hipótese de mais proteína aumentar perda óssea é invalida e marcada apenas por poucos e fracos estudos. No entanto, é importante frisar que os estudos com mais proteínas chegavam a valores como 30% do total calórico ou mais de 80 a 90g do macronutriente. Não podemos afirmar que dietas extremamente ricas por ex de maneira crônica terão efeitos positivos ou negativos.

 

 

1- Int Congr Ser 2007;1297:191–7.

2- J Biol Chem 1920;44:21–7.

3- Adv Nutr Res 1994;9:167–81

4- J Nutr 1981;111:244–51

5- . J Nutr 1981;111:2106–16.

6- J Nutr 1980;110:305–15

7- J Clin Endocrinol Metab 2005;90:26–31

8- Am J Clin Nutr 2009;89:1357–65

9- J Nutr 2003;133:1020–6

10- Osteoporos Int 2016;27:1281–386

11- Am J Clin Nutr 2009;90:1674–92

12- Sci Rep 2015;5:9151.

13- Am J Clin Nutr. 2017 Jun;105(6):1528-1543

 

 

 

 

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